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Tiago Tessmann
•9 min de leitura

Lula ou Flávio Bolsonaro: o que muda para a sua empresa em cada plano de governo nas eleições de 2026

Compare os planos de governo de Lula e Flávio Bolsonaro em imposto, juros, folha de pagamento e burocracia, e veja o que muda para pequenas e médias empresas.

Tiago Tessmann

Tiago Tessmann

Conversão Extrema

Lula ou Flávio Bolsonaro: o que muda para empresas

Nas eleições de 2026, os planos de governo de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) apontam caminhos diferentes para quem tem empresa. Lula propõe seguir com a reforma tributária como foi aprovada, manter o arcabouço fiscal e os programas sociais, e o governo dele aposta no fim da escala 6 por 1. Flávio propõe revisar a reforma para reduzir a alíquota, cortar gastos e ministérios, retomar privatizações e revisar a Previdência. Nas regras macro, como câmbio flutuante e autonomia do Banco Central, os dois planos são parecidos. E, em qualquer cenário, a transição da reforma tributária já está em andamento.

Como esta análise foi feita?

Este artigo não diz em quem votar. Ele olha os dois planos de governo pelo olho de quem tem empresa: imposto, folha de pagamento, juros e burocracia, ou seja, o que bate no caixa.

A análise usa o que está escrito nos planos registrados no TSE, que qualquer pessoa pode baixar e ler. Onde o plano é vago, isso está dito, dos dois lados. No final, eu dou a minha opinião, separada e marcada como opinião.

De um lado, Lula, do PT, busca a reeleição. Do outro, Flávio Bolsonaro, do PL, é o principal nome da oposição. Um esclarecimento, porque tem gente confundindo: o candidato é o Flávio, não o Jair.

O que cada plano propõe sobre impostos?

O país está no meio da transição da reforma tributária, que unifica impostos sobre o consumo.

  • Lula: seguir com a reforma como ela foi aprovada e avançar no que ele chama de justiça tributária, cobrando mais de quem está no topo.
  • Flávio Bolsonaro: manter a simplificação, mas revisar a reforma. O argumento é que, do jeito que foi aprovada, a alíquota base pode chegar perto de 30%, enquanto a média dos países desenvolvidos fica em torno de 19%. Ele propõe reduzir essa alíquota, cortar exceções, ampliar a desoneração de exportações e investimentos e reverter aumentos como o do IOF.

O ponto honesto: o plano do Flávio não detalha quais tributos seriam cortados, em que ritmo, nem como a conta fecha. É direção, não é planilha.

O que cada plano propõe sobre gasto público e juros?

Esse é o tema que mexe com o seu crédito.

  • Flávio Bolsonaro: cortar a máquina pública, com o fim de pelo menos dez ministérios, menos cargos comissionados, combate a supersalários, retomada de privatizações e uma nova regra fiscal com foco em superávit.
  • Lula: manter o arcabouço fiscal atual, o investimento público e os programas sociais, com foco em crescimento e transição ecológica.

Por que isso interessa ao empresário? Porque a expectativa sobre as contas públicas mexe com o juro futuro, e o juro futuro mexe com o custo do seu crédito, com o consumo parcelado do seu cliente e com o câmbio, se você importa.

Um dado que contraria o discurso dos dois lados: segundo um levantamento da Avenue, que comparou os planos dos candidatos, nenhum deles propõe mexer no câmbio flutuante nem reduzir a autonomia do Banco Central. Nas regras macro, os planos são mais parecidos do que a campanha sugere.

O que muda na folha de pagamento?

Esse tema preocupa comércio, restaurante, clínica e serviços, porque é custo direto.

  • Governo Lula: a principal aposta para 2027 é o fim da escala 6 por 1, com jornada mais próxima de cinco dias de trabalho e dois de descanso e redução gradual para 40 horas semanais, sem corte de salário. Detalhe: isso não está no plano de governo dele. Tramita como PEC no Congresso, mas é a aposta declarada do governo.
  • Flávio Bolsonaro: o foco é a revisão da Previdência, que ele descreve como um modelo prestes a estourar, e o uso dos programas de transferência de renda como porta de entrada para o emprego formal.

Traduzindo: um caminho discute redução de jornada, o que, para quem opera sete dias por semana, significa contratar mais gente para o mesmo horário. O outro discute Previdência e regras de contratação.

O que cada plano propõe sobre burocracia e regulação?

  • Flávio Bolsonaro: revogar normas excessivas, reduzir o custo de funcionamento do Estado e profissionalizar as agências reguladoras.
  • Lula: o plano associado a ele traz regulação das big techs e aperfeiçoamento da Lei de Falências.

Se você vende pela internet e depende de plataformas, fique de olho na regulação das big techs, porque ela mexe nas regras de anúncio e de conteúdo. Se a sua empresa está endividada, a Lei de Falências te interessa diretamente.

O que nenhum dos dois consegue entregar sozinho?

Nenhum presidente aprova reforma sem o Congresso. A velocidade das mudanças vai depender de quem for eleito para o Senado e para a Câmara, que também estão em jogo. Muita promessa de campanha morre no caminho, de todo governo, de todo lado.

E uma coisa não muda com o resultado: a transição da reforma tributária já está em andamento. A sua empresa vai ter que se adaptar de qualquer jeito, e quem se preparar antes sai na frente.

O que o empresário deve fazer durante a eleição?

Não paralise a empresa esperando o resultado. O empresário que passa dois meses travado, sem investir, sem contratar e sem anunciar, já perdeu dinheiro antes de saber quem ganhou.

Minha opinião

Até aqui, a análise foi isenta. Daqui para baixo, é a minha opinião, e você não precisa concordar.

Sou a favor de quem promete reduzir imposto. O problema do Brasil não é só quanto se cobra, porque tem país rico que cobra parecido. O problema é o que o governo faz com esse dinheiro: muito desperdício, muita coisa mal gasta, e o serviço que volta para você e para mim não corresponde ao que a gente paga. Por isso, acredito que precisamos reduzir imposto com urgência e, junto com isso, reduzir o desperdício.

Isso passa pelo governo gastar menos. Quanto mais o governo gasta e se endivida, mais alto fica o juro, e a nossa taxa de juros real está entre as maiores do mundo. Quase tudo que o brasileiro compra é parcelado. Juro alto encarece a máquina de cartão, o financiamento, o consórcio e a prestação do seu cliente. Juro alto é o imposto invisível que todo mundo paga. E, enquanto o governo é o melhor pagador do mercado, o banco prefere emprestar para o governo a emprestar para a sua empresa. É por isso que capital de giro no Brasil é tão caro.

Precisamos rever a relação de trabalho. E quero ser claro: o problema não é a CLT. O problema são as regras pouco claras, que deixam tudo em aberto. Hoje o empresário vive com medo, porque qualquer coisa vira processo, às vezes injustamente. Não estou falando em tirar direito de ninguém. Estou falando em regra clara, que dê segurança para os dois lados, inclusive para quem escolhe trabalhar como PJ e quer ser respeitado nessa escolha.

Defendo também mais três coisas:

  1. Simplificação, antes até da redução. Mesmo que o imposto não caia amanhã, a complexidade já come o seu dinheiro. Empresa pequena paga contador, sistema e advogado só para não errar. Isso é custo que não vira produto.
  2. Regra estável. O empresário aguenta regra dura. O que ele não aguenta é regra mudando no meio do jogo. Investimento de longo prazo precisa de previsibilidade.
  3. Menos burocracia para abrir, crescer e fechar empresa, e qualificação de mão de obra. Falta gente boa em quase todo setor, e isso trava o crescimento mais do que muita gente imagina.

No fim, sou a favor de político que incentiva o empreendedorismo e o desenvolvimento. Não é o governo que gera riqueza. Quem gera emprego, paga imposto e movimenta a cidade é a empresa. Quanto mais fácil for empreender no Brasil, melhor para todo mundo.

Mas, independentemente de quem ganhar, o jogo continua na segunda-feira. Quem vende melhor, controla os números e usa a tecnologia a seu favor atravessa qualquer governo.

Resumo: o que muda para a sua empresa em cada plano

  • Impostos: Lula segue a reforma tributária aprovada e defende cobrar mais de quem está no topo; Flávio quer revisar a reforma para reduzir a alíquota, sem detalhar como.
  • Gasto público e juros: Flávio propõe cortes, privatizações e foco em superávit; Lula mantém o arcabouço, o investimento público e os programas sociais.
  • Regras macro: nenhum dos dois propõe mexer no câmbio flutuante nem na autonomia do Banco Central.
  • Folha de pagamento: o governo Lula aposta no fim da escala 6 por 1 via PEC; Flávio foca na revisão da Previdência.
  • Burocracia: Flávio fala em revogar normas e profissionalizar agências; o plano de Lula traz regulação das big techs e da Lei de Falências.
  • Em qualquer cenário: o Congresso define o ritmo, a reforma tributária já está em andamento e parar a empresa esperando o resultado custa dinheiro.

Perguntas frequentes

Onde estão os planos de governo dos candidatos?

Os planos de governo são registrados no TSE e qualquer pessoa pode baixá-los e lê-los.

O candidato da oposição é Jair ou Flávio Bolsonaro?

O candidato do PL é Flávio Bolsonaro.

O que muda nos impostos para as empresas em cada plano?

O plano de Lula mantém a reforma tributária como foi aprovada e defende cobrar mais de quem está no topo. O plano de Flávio Bolsonaro mantém a simplificação, mas propõe reduzir a alíquota base, cortar exceções, ampliar desonerações de exportações e investimentos e reverter aumentos como o do IOF, sem detalhar ritmo e compensações.

Algum dos candidatos propõe mudar o câmbio ou a autonomia do Banco Central?

Segundo um levantamento da Avenue, nenhum dos dois planos propõe mexer no câmbio flutuante nem reduzir a autonomia do Banco Central.

O fim da escala 6 por 1 está no plano de governo de Lula?

Não. A proposta tramita como PEC no Congresso, mas é a aposta declarada do governo para 2027, com jornada mais próxima de cinco dias de trabalho e dois de descanso e redução gradual para 40 horas semanais, sem corte de salário.

A reforma tributária depende do resultado da eleição?

A transição da reforma tributária já está em andamento. O resultado pode mudar o rumo de ajustes futuros, mas a empresa vai precisar se adaptar em qualquer cenário.